27 fevereiro 2017 | Chris Naylor | 0 comentários

Medicina da conservação

Eu recentemente passei uma semana no Caribe, a convite da Saint Luke Society, um grupo extraordinário de profissionais da área médica que são comprometidos em servir algumas das comunidades mais necessitadas da América do Sul e Central. Do México ao Estreito de Magalhães, esses heróis do evangelho tem se doado para prover refúgios seguros para mulheres e crianças que sofrem abusos, reabilitação a drogados e frequentemente, o único cuidado médico disponível para comunidades pobres.

A viagem de campo às favelas em Santa Dominica ilustrou alguns dos desafios. Nós conhecemos poucas das 50.000 pessoas que dependem da clínica St. Luke para receber cuidados médicos, e algumas das centenas de crianças que, sem a escola St. Luke, seriam deixados perambulando nas ruas (muito perigosas) durante dias.

Normalmente, quando eu faço uma palestra sobre a degradação do meio ambiente ou sobre a base bíblica para o cuidado com a criação é para uma audiência na área de conservação convencida da crise, mas cética a respeito do significado da fé; ou é para grupos cristãos cuja fé é firme, e que, entretanto, se perguntam de que forma a saúde física do planeta se relaciona com eles!

Na Europa e nos EUA, ouvintes privilegiados têm me desafiado frequentemente, dizendo algo como: Conservação é aceitável para nós, no rico oeste, que podemos custear ser ambientalmente conscientes, mas e os pobres? Eles não podem custear essa consciência… ou podem?

E então eu reuni dados, gráficos e ilustrações para abordar a questão de que nós estamos ultrapassando os limites planetários para o uso sustentável do planeta. E os slides resultantes possuem um conjunto de notícias ruins:

(*) links em inglês

Abutre-indiano (Gyps indicus) – © Vaibhavcho, CC-BY-SA-3.0

Abutre-indiano Gyps indicus – © Vaibhavcho, CC-BY-SA-3.0

 

Eu também me equipei com uma poderosa citação do Dr. Paul Brand, um médico pioneiro norte-americano que trabalha com pacientes de leptospirose na Índia:

«Com prazer, eu abriria mão da medicina amanhã se, agindo assim, eu pudesse ter alguma influência na política relacionada com a lama e solo. O mundo irá morrer pela falta de água pura e solo, antes que morra pela falta de antibióticos ou habilidades e conhecimentos cirúrgicos.»

Eu não precisava ter me preocupado em persuadir minha audiência. O grupo me mostrou sintomas da indisposição do meio ambiente, a partir de suas próprias experiências: chuvas, enchentes, colheitas com falhas, mudanças nos padrões de doenças e tensões constantes ao passo que os recursos naturais começam a falhar. Eles também falaram sobre o efeito da disfunção ambiental nos mais pobres, com a forte mensagem de que é o mais rico, isolado no Oeste, que não leva sua responsabilidade ambiental com seriedade, enquanto os pobres têm de viver com as consequências.

Mas foi a história do amor de Deus, e acima de tudo, esperança para o planeta, que ressoou profundamente entre os médicos e trabalhadores de comunidades. Eles já sentiram em seus ossos que a prosperidade humana só é possível em um ambiente saudável, mas agora eles viram seus próprios anseios pelo cuidado responsável à criação, saindo diretamente das páginas das Escrituras. Muitos descreveram essa sensação, como se peças de um quebra-cabeça estivessem finalmente se posicionando corretamente, enquanto olhamos para o primeiro capítulo de Colossenses e levamos a sério “todas as coisas” reconciliadas em Cristo. Cristo reverteu todas as consequências do pecado do homem na sua queda; restaurando os relacionamentos entre as pessoas, Deus e a Terra. Os ministérios representados na conferência estão trabalhando a respeito dessa reconciliação em suas comunidades. Aqueles que já têm o componente ambiental em seus projetos foram para casa encorajados, e muitos declararam o desejo de participar do cuidado à criação pelo trabalho médico. Eu também voltei para casa encorajado!

Tradução: Paula Ferolla

Categorias: Reflexões
Sobre Chris Naylor

Antes de se juntar a A Rocha, Chris possuía ampla experiência no ensino de ciências e gestão escolar no Reino Unido e no Oriente Médio, frequentando a Faculdade Bíblica e aprendendo árabe (na Jordânia) ao longo do caminho. Ele se juntou À Rocha em 1997 trabalhando, até 2009, como Diretor do Líbano onde foi co-fundador dos trabalhos no local. Ele inspecionava o programa de restauração do habitat na Zona Úmida de Aammiq, o desenvolvimento do projeto de educação ambiental e o programa de pesquisa de campo, identificando 11 novas importantes Áreas de Aves. Desde abril de 2010 é Diretor Executivo d’A Rocha Internacional e trabalha em Oxfordshire. Seu livro Postcards from the Middle East: How our family fell in love with the Arab world (“Cartões Postais do Oriente Médio: Como nossa familia se apaixonou pelo mundo Árabe”) foi publicado por Lion Hudson em março de 2015.

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