6 março 2017 | Peter Harris | 0 comentários

Mantendo a fé na captação de recursos

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Este blog foi publicado dia 16/01/2017 por Eerdmans, editores de “Keeping Faith in Fundraising”, novo livro de Peter Harris, Presidente de A Rocha e Rod Wilson, ex-Presidente do Regent College, Vancouver (também co-autor deste artigo).

Por mais de uma década nós dois tivemos conversas sobre as alegrias e dificuldades no trabalho de captação de recursos e finalmente decidimos reuni-las num livro. Se soubéssemos que escrevê-lo significaria cinco anos de pesquisa e reflexão, muitos dias de esforço para vencer os desafios da colaboração à distância, viagem e logística (o que, ironicamente, inclui arrecadação); encontrar tempo em meio às demandas de trabalho e, talvez, mais que tudo, a grande dificuldade em como abordar a questão de captação de recursos e filantropia dentro de nossa própria vida cristã – talvez tivéssemos dado um ponto final naquele momento! Contudo, finalmente o livro ficou pronto.

Nós o escrevemos porque nos preocupamos com o fato de o dinheiro e a técnica terem ocupado um espaço excessivo, no desejo e imaginário cristãos, quanto à sua real importância, e percebemos uma negligência com o que realmente importa em relação à arrecadação de recursos e à doação. Em nosso aprendizado e experiência, na essencial relação com Deus encontra-se o potencial privilégio de ser humano de verdade, e que pode nos guiar neste assunto e em tudo o mais que desenvolvemos debaixo do sol.

Também temos a preocupação com a geração de riqueza dentro do mesmo contexto de doação e captação de recursos. Durante a pesquisa encontramos episódios lamentáveis de cristãos, alguns deles amigos nossos, que acumularam riqueza destruindo a criação e trazendo empobrecimento a comunidades, mesmo com a pretensão de realizar uma ação filantrópica. Tais relatos não são desconhecidos da filantropia secular e não são poucas as fortunas, grandes e famosas, fruto da filantropia que cresceram com dano social e ambiental.

Quando escrevemos o livro gostaríamos, mesmo contendo uma parte bíblica, identificar uma voz e fornecer algum material impresso que pudesse beneficiar muitos amigos que não se identificam como cristãos. Sabemos que, com frequência, se entusiasmam ou se sentem incomodados com as mesmas questões que enfrentamos. Tratamos de alguns desses assuntos numa seção dividida por  temas, cobrindo questões tais como significado de sucesso, o papel do método e do conhecimento especializado bem como o critério da necessidade.

Esperamos que os leitores encontrem auxílio, tanto se estiverem captando recursos para uma causa desafiadora de impacto mundial ou doando dinheiro de forma correta para ajudar a transformar o mundo. Esperamos ter elaborado algo fidedigno, analisando as escrituras que nos deram inspiração, e relatando de forma honesta nossa estória de 40 anos na captação de recursos em que nem sempre agimos corretamente. Acreditamos que tanto doar como captar recursos podem ser feitos de forma santa. Entendemos que eles podem refletir o caráter do Deus Triuno e demonstrar uma bênção para nós, nossas comunidades e para a criação propriamente dita.

Já descobrimos que alguns leitores vão direto para a parte final onde narramos nossas estórias. Sem dúvida porque tanto captar como doar recursos é algo difícil. Tanto um quanto outro podem começar de forma simples e serem ambos capazes de se perpetuar de forma complexa e gerar estranho sofrimento. Se essa foi sua experiência, este livro é para você.  Se você está esperando por uma nova série de soluções mágicas ou de nove maneiras de aumentar a entrada de recursos em sua organização até a próxima terça-feira, talvez deva buscar outra ajuda. Escrevemos este livro para aqueles que desejam aprofundar convicções de que o ato de dar ou receber recurso pode ser um caminho para um íntimo relacionamento com Deus e com as pessoas e também uma forma de abençoar a criação.

Disponível em Amazon.co.uk ou Amazon.com (EUA)

Tradução: Ana Luísa Barreiros

Categorias: Reflexões
Sobre Peter Harris

Peter e Miranda se mudaram para Portugal em 1983, para criar e gerenciar o primeiro centro de estudos de campo de A Rocha. Junto com seus quatro filhos, eles viveram no centro por doze anos até 1995, ano em que o trabalho foi colocado sob liderança portuguesa. Aí eles se mudaram para a França, onde criaram o primeiro centro francês, perto de Arles, onde viveram até 2010, ao mesmo tempo que coordenavam e ofereciam suporte às lideranças desse movimento em rápido crecimento. Agora eles estão de volta para o Reino Unido, por forma a continuarem o suporte a toda a família A Rocha por todo o mundo, e ao mesmo tempo ficarem mais próximos da sua própria família, incluindo seus netos. Eles contam sua história em Under the Bright Wings (1993) e Kingfisher’s Fire (2008).

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