20 fevereiro 2017 | Peter Harris | 0 comentários

‌Pescando dinheiro – existem regras?

‌Como Barbara Mearns escreveu (veja o artigo em inglês), é engraçado o que as pessoas dizem quando você diz que trabalha com conservação. As reações variam muito, dependendo de como você descreve o seu trabalho. Mas se você diz que trabalha com uma instituição sem fins lucrativos (verdade), com uma frequência surpreendente as pessoas acham que você vai pedir dinheiro (falso). Então, já que nós dependemos da generosidade das pessoas, existe uma boa maneira de pescar contribuições?

Pesca © Gillian Moore

Pesca © Gillian Moore

Quando quero encontrar uma boa maneira de fazer algo procuro ver como Jesus o fez. Ele não tinha orgulho de pedir as coisas. Por exemplo, ele pediu aos seus discípulos que pedissem a um amigo um jumento para montar na sua marcha improvisada para Jerusalém. Sem jumento nada feito, mas ele conseguiu um. Dois mil anos depois, ainda falamos sobre isso – que resultado sustentável! E ele tinha visões claras sobre como devemos doar (discretamente, anonimamente, com sacrifício) pois a atitude, e não a quantidade, importa mais para Deus. Ouvimos menos sobre como pedir corretamente, talvez porque no contexto da cultura generosa do Oriente Médio havia menos necessidade de enfatizar este ponto. Então volto à metáfora de Jesus, pois por extrapolação podemos ver que pedir bem é sobre como nós, os que pedimos, vemos aqueles que dão, e que Deus é o doador final de todas as coisas. A captação de recursos para as instituições sem fins lucrativos, em última instância, é menos sobre as nossas próprias ideias daquilo que precisamos e mais sobre compreender melhor o que Deus quer proporcionar.

‌Então aqui está a metáfora: a expedição de pesca dos discípulos, registrada em João capítulo 21. Eles haviam voltado aos hábitos antigos porque “O Projeto” parecia ter falhado. Jesus fora executado, tudo estava acabado e a vida tinha voltado à maneira antiga, com as pescarias noturnas. E obviamente não estava dando muito certo. Redes vazias é o resultado que tipicamente encontramos sempre que embarcamos em projetos sem ter compreendido como estes se adaptam ao mundo e aos modos de Deus. Além do sono perdido. O que os fez voltar ao caminho certo foi estarem preparados a pescar de acordo com as novas maneiras da ressurreição, e fazê-lo como Jesus apontou. Eles eram os pescadores experientes, mas sabiam que Ele sabia melhor, por isso joguem as redes onde Ele disser.

‌Após todos estes anos talvez não importe quantos peixes, embora João na sua maneira precisa tenha dito que são 153 dos grandes… e fico tranquilo porque a primeira coisa que faço ao receber uma doação em dólares ou euros ou reais é dirigir-me a www.xe.com. Isto me mostra por quantas semanas um dos meus amigos de A Rocha ficará trabalhando, ou quantas árvores poderemos plantar, ou…

‌Mas o que importa é que os discípulos reconheceram quem sabia pescar e onde. E eu considero que essa é a busca eterna do bom angariador, ou do bom pescador. É por isso que a manipulação, a perseguição, as exigências e os jogos de culpa que por vezes se fazem são uma mancha terrível sobre o bom e divino trabalho da arrecadação de fundos para instituições sem fins lucrativos. Temo que muitos dos pedidos de caridade que aparecem à minha porta são, após uma leitura atenta, fundamentalmente desonestos. Todos precisamos de um barco e de algumas boas redes (não se romperam mesmo com 153 peixes grandes). Aqui presto homenagem a todos os que costuram as redes da A Rocha para podermos proporcionar uma excelente contabilidade, marcos lógicos pormenorizados para justificar os resultados, clareza sobre a necessidade de cada centavo, e todos aqueles que trabalham habilmente para produzir um bom pedido. Vocês sabem quem vocês são! Mas uma vez que essas condições essenciais estejam estabelecidas, depositamos a nossa fé no grande pescador. Então brindemos à abolição das regras sobre qual a técnica de angariação de fundos que funciona melhor, e ao próximo banquete de peixes proporcionado por Jesus em alguma praia desse mundo!

Tradução: Marina Hennies / Rebeca Lins

Categorias: Reflexões
Sobre Peter Harris

Peter e Miranda se mudaram para Portugal em 1983, para criar e gerenciar o primeiro centro de estudos de campo de A Rocha. Junto com seus quatro filhos, eles viveram no centro por doze anos até 1995, ano em que o trabalho foi colocado sob liderança portuguesa. Aí eles se mudaram para a França, onde criaram o primeiro centro francês, perto de Arles, onde viveram até 2010, ao mesmo tempo que coordenavam e ofereciam suporte às lideranças desse movimento em rápido crecimento. Agora eles estão de volta para o Reino Unido, por forma a continuarem o suporte a toda a família A Rocha por todo o mundo, e ao mesmo tempo ficarem mais próximos da sua própria família, incluindo seus netos. Eles contam sua história em Under the Bright Wings (1993) e Kingfisher’s Fire (2008).

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